Paróquia São José de Assaí

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Catequese do Papa

Catequese de Bento XVI - 23/11/2011

Caros irmãos e irmãs

Estão vivas em mim as impressões suscitadas pela recente viagem apostólica a Benin, sobre a qual desejo deter-me. Brota espontaneamente na minha alma o rendimento de gratidão ao Senhor: na Sua providência, Ele quis que eu retornasse a Africa pela segunda vez como sucessor de Pedro, em ocasião do 150º aniversário do início da evangelização em Benin e para assinar e entregar oficialmente às comunidades eclesiais africanas a Exortação Apostólica pós-sinodal Africae Munus. Neste importante documento, depois de ter refletido sobre as análises e sobre as propostas que surgiram da Segunda Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que aconteceu no Vaticano em outubro de 2009, quis oferecer algumas linhas para a ação pastoral no grande Continente Africano. Ao mesmo tempo quis render homenagem e rezar sobre a tumba de um ilustre filho de Benin e da África, e grande homem da Igreja, o inesquecível Cardeal Bernardim Gantin, cuja venerável memória é mais do que viva em seu país, que o considera um Pai da nação e de todo o continente.
Desejo hoje repetir o meu mais vivo agradecimento àqueles que contribuiram com a realização desta minha peregrinação. Antes de tudo, estou muito grato ao presidente da República, que com grande cortesia, me ofereceu a sua cordial saudação e de todo o país, o arcebispo de Cotonou e aos outros veneráveis irmãos no espiscopado que me acolheram com afeto. Agradeço, além disso, aos sacerdotes, religiosos e religiosas, os diáconos, os catequistas e os inumeráveis irmãos e irmãs, que com tanta fé e fervor me acompanharam durante estes dias de graça. Vivemos juntos uma tocante experiencia de fé e de renovado encontro com Jesus Cristo vivo, no contexto do 150º aniversário de evangelização de Benin.
Depositei os frutos da Segunda Assembléia especial para a África do Sinodo dos Bispos aos pés da Virgem maria, venerada em Benin especialmente na Basílica da Imaculada Conceição de Ouidah. Diante do modelo de Maria, a Igreja na África acolheu a boa nova do Evangelho, gerando muitos povos para a fé. Agora, as comunidades cristãs da África, como sublinhado tanto no tema do Sínodo, como no tema da minha viagem apostólica, são chamadas a renovarem-se na fé para estarem sempre mais a serviço da reconciliação, da justiça e da paz. Elas também são convidas a reconciliarem-se internamente para tornarem-se instrumentos alegres da misericordia divina, cada uma colocando as próprias riquezas espirituais e materias ao empenho comum.
Este espírito de reconciliação é indispensável, naturalmente, também sobre o plano civil e necessita de uma abertura à esperança que deve animar também a vida sociopolítica e econômica do Continente, como fiz questão de dar relevância no encontro com as Instituições políticas, o Corpo Diplomático e os representantes das religiões. Nesta circunstância quis dar destaque à esperança que deve animar o caminho do continente, relevando o ardente desejo de liberdade e de justiça que, especialmente nesses últimos meses, anima os corações de numerosos povos africanos. Destaquei ainda a necessidade de construir uma sociedade onde o relacionamento entre etnias e religiões diversas seja caracterizadas pelo diálogo e pela harmonia. Convidei todos a serem verdadeiros semeadores de esperança em todas as realidades e em todos os ambientes. 
Os cristãos são por si só homens de esperança, que não podem desinteressarem-se dos próprios irmãos e irmãs: recordei esta verdade também à imensa multidão que veio para a celbração eucarística dominical no Estádio da Amizade de Cotonou. Essa missa de domingo foi um extraordinário momento de oração e de festa da qual participaram milhares de fiéis de Benin e de outros países africanos, dos mais idosos aos mais jovens: um maravilhoso testemunho de como a fé consegue reunir as gerações e sabe responder aos desafios de todas as estações da vida.
Durante esta tocante e solene celebração, entreguei aos presidentes das conferências episcopais da África, a exortação apostólica pos sinodal Africae Munus, a qual eu havia assinado um dia antes em Ouiadah, e é destinada aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, aos catequistas e aos leigos de todo o Continente Africano. Confiando a esses os frutos da Segunda Assembleia especial para a Africa do Sinodo dos Bispos, pedi-lhes de meditá-los atentamente e de vivê-los em plenitude, para responder eficazmente a empenhativa missão evangelizadora da Igreja peregrina na Africa do terceiro milenio. Neste importante texto, cada fiel encontrará as linhas fundamentais que guiarão e encorajarão o caminho da Igreja na África, chamada a ser sempre mais o sal da terra e a luz do mundo.
A todos dirijo o apelo para que sejam construtores incansáveis de comunhao, de paz e de solidariedade, para cooperar assim na realização do plano de salvação de Deus para a humanidade. Os africanos responderam com o seu entusiasmo ao convite do Papa, e sobre os seus rostos, na fé ardente, na adesão convicta deles ao Evangelho da vida, reconheci mais uma vez sinais consoladores de esperança para o grande Continente Africano.
Toquei com a mão estes sinais também no encontro com as crianças e com o mundo do sofrimento. Na igreja paroquial de Santa Rita, verdadeiramente provei da alegria de viver, a alegria e o entusiasmo das novas gerações que constituem o futuro da África. Na legião festiva das crianças, um dos tantos recursos e riquezas do Continente, apontei a figura de São Kisito, um jovem de Uganda, que foi assassinado porque queria viver segundo o Evangelho e exortei cada um a testemunhar Jesus aos próprios conterrâneos. A visita ao Foyer Paz e Alegria, administrado pelas missionárias da Caridade de Madre Teresa, me fez viver um momento de grande comoção encontrando crianças abandonadas e doentes e me concedeu de ver concretamente como o amor e a solidariedade sabem tornar presente na fraqueza a força e o afeto de Cristo ressuscitado.
A alegria e o ardor apostólico que encontrei entre os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, os seminaristas e os leigos, que vieram em grande número, constitui um sinal de segura esperança para o futuro da Igreja em Benin. Exortei todos a uma fé autêntica e viva e a uma vida cristã caracterizadas pela prática das virtudes, e encorajei cada um a viver a respectiva missão na Igreja com fidelidade aos ensinamentos do Magistério, em comunhão entre eles e com os Pastores, indicando especialmente aos sacerdotes a vida de santidade, na consciência que o ministerio não é uma simples função social, mas é levar o homem a Deus.
Momento intenso de comunhão foi o encontro com o Episcopado de Benin, para refletir em particular sobre a origem do anúncio evangélico no País, através da obra dos missionários que generosamente doaram suas vidas, muitas vezes de modo heróico, a fim que o amor de Deus fosse anunciado a todos. 
Os bispos dirigiram um convite para pôr em prática oportunas iniciativas pastorais para suscitar nas famílias, nas paróquias, nas comunidades e nos movimentos eclesiais uma constante redescoberta da Sagrada Escritura, como fonte de renovação espiritual e ocasião de profundidade da fé. De tal renovada ligação com a Palavra de Deus e pela descoberta do proprio batismo, os fiéis leigos encotrarão a força para tesmunhar a fé em Cristo e no seu Evangelho na vida cotidiana. Nesta fase crucial para todo o Continente, a Igreja na África, com seu empenho a serviço do Evangelho, com o corajoso testemunho de grande solidariedade, poderá ser protagonista de uma nova estação de esperança. Na África, vi o frescor do sim à vida, um frescor do sentido religioso e da esperança, uma percepção da realidade na sua totalidade com Deus, não reduzida a um positivismo que, ao final, apaga a esperança. Tudo isso demonstra que naquele Continente existe uma reserva de vida e de vitalidade para o futuro,com a qual, a Igreja pode contar. 
Esta minha viagem constituiu um grande apelo a Africa, para que oriente todo esforço em anunciar o Evangelho àqueles que ainda não o conhecem. Se trata de um renovado empenho para a evangelização, ao qual todo batizado é chamado, promovendo a reconciliação, a justiça e a paz.
A Maria, Mãe da Igreja e Nossa Senhora da África, confio aqueles que pude encontrar nesta minha inesquecível viagem apostólica. A Ela recomendo a Igreja na Africa. A materna intercessão de Maria, cujo coração está sempre orientado à vontade de Deus, sustente todo empenho de conversão, consolide toda iniciativa de reconciliação e renda eficaz todo esforço em favor da paz em um mundo que tem fome e sede de justiça. Obrigado!

 

 

 

Jesus é vencedor na batalha entre o bem e o mal, afirma Bento XVI

"Sim, no mundo há muito mal, há uma batalha permanente entre o bem e o mal e parece que o mal seja mais forte. Não! Mais forte é o Senhor, o nosso verdadeiro Rei e sacerdote, Cristo, porque combate com a força de Deus e, apesar de todas as coisas que nos fazem duvidar do êxito positivo da história, vence Cristo e vence o bem, vence o amor, não o ódio", afirmou confiante o Papa Bento XVI na Catequese desta quarta-feira, 16, em que falou sobre o Salmo 109 (110).
"Nestas últimas Catequeses, quis apresentar-vos alguns Salmos, preciosas orações que encontramos na Bíblia e que refletem as várias situações da vida e os vários estados de ânimo que podemos ter diante de Deus. Gostaria, portanto, de renovar a todos o convite a rezar mais com os Salmos,também habituando-se a utilizar a Liturgia das Horas, as Laudes pela manhã, as Vésperas ao final da tarde, as Completas antes de dormir. A nossa relação com Deus não poderá deixar de ser enriquecida no cotidiano caminho rumo a Ele, realizado com maior alegria e confiança", destacou.
A tradição da Igreja considera este Salmo como um dos textos messiânicos mais significativos. O rei cantado pelo Salmista é Cristo, o Messias que instaura o Reino de Deus e vence as potências do mundo, é o Verbo gerado pelo Pai antes de toda a criatura. O evento pascal de Cristo torna-se, assim, a realidade a que o Salmo convida a olhar, olhar a Cristo para compreender o sentido da verdadeira realeza, viver no serviço e no dom de si, em um caminho de obediência e amor levado "até o fim" (cf. Jo 13,1 e 19,30).
"Rezando com este Salmo, peçamos portanto ao Senhor para poder proceder também nós em seus caminhos, no seguimento de Cristo, o Rei Messias, dispostos a subir com Ele o monte da cruz para chegar com Ele à glória, e contemplá-lo sentado à direita do Pai, rei vitorioso e sacerdote misericordioso, que dé perdão e salvação a todos os homens. E também nós, tornados, por graça de Deus, 'raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa' (cfr 1 Pe 2,9), poderemos chegar com alegria às fontes da salvação (cf. Is 12,3) e proclamar a todo o mundo as maravilhas d'Aquele que nos 'chamou das trevas à sua luz maravilhosa' (cf. 1 Pe 2,9)", destacou o Pontífice.
O Salmo
No Salmo, Deus entroniza o rei na glória, fazendo-o sentar à Sua direita, sinal de grandíssima honra e absoluto privilégio. Desse modo, o rei participa do senhorio divino, do qual é mediador junto ao povo.
"Assenta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos o escabelo de teus pés" (Sl 109,1).
"Essa glorificação do rei foi assumida pelo Novo Testamento como profecia messiânica; por isso, o versículo está entre os mais usados pelos autores neotestamentários. Jesus mesmo menciona este versículo a propósito do Messias, para mostrar que o Messis é mais que Davi, é o Senhor de Davi, e Pedro o retoma no seu discurso em Pentecostes, anunciando que, na ressurreição de Cristo, realiza-se esta entronização do rei. É o Cristo, de fato, o Senhor entronizado, o Filho do homem sentado à direita de Deus, que vem sobre as nuvens do Séu, como Jesus mesmo se define durante o processo diante do Sinédrio".
Entre o rei celebrado no Salmo e Deus existe uma relação inseparável, pois os dois governam em conjunto. "O exercício do poder é um encargo que o rei recebe diretamente do Senhor, uma responsabilidade que deve viver na dependência e na obediência, tornando-se assim sinal, no interior do povo, da presença poderosa e providente de Deus", explica Bento XVI.
É também neste salmo que se encontra o conhecido versículo "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec" (v. 4). 
Melquisedec era o sacerdote rei de Salem, que tinha abençoado a Abraão e oferecido pão e vinho após a vitoriosa campanha militar conduzida pelo patriarca para salvar o sobrinho Lot das mãos dos inimigos que o haviam capturado. "Na sua figura, poder real e sacerdotal convergem e são proclamados pelo Senhor em uma declaração que promete eternidade: o rei celebrado será sacerdote para sempre, mediador da presença divina em meio ao seu povo, ponte da bênção que vem de Deus e que, na ação litúrgica, encontra-se com a resposta benedicente do homem", complementa o Bispo de Roma.

O Santo Padre indica ainda que, no Senhor Jesus ressuscitado e ascenso aos céus, onde está à direita do Pai, atua-se a profecia do Salmo e o sacerdócio de Melquisedec é levado a cumprimento, porque tornado absoluto e eterno, tornado uma realidade que não conhece anoitecer. "E a oferta do pão e do vinho, feita por Melquisedec nos tempos de Abraão, encontra o seu cumprimento no gesto eucarístico de Jesus, que, no pão e no vinho, oferece a si mesma e, vencida a morte, leva à vida todos os crentes. Sacerdote perene, santo, inocente, sem mácula, ele pode salvar perfeitamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus; ele, de fato, está sempre vivo para interceder em nosso favor".
Ao final do Salmo, está o rei triunfante que, apoiado pelo Senhor, supera os inimigos e julga as nações. "O soberano, protegido pelo Senhor, abate cada obstáculo e procede seguro rumo à vitória".
A audiência
O encontro do Santo Padre com os cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, aconteceu às 10h30 (horário de Roma - 7h30 no horário de Brasília). A reflexão faz parte da "Escola de Oração", iniciada pelo Papa na Catequese de 4 de maio. A seção dedicada ao Saltério, iniciada em 7 de setembro, chegou ao fim nesta quarta-feira.
Ao final da audiência, o Papa recordou, na saudação em francês, a viagem apostólica que fará ao Benin, na África, a partir desta sexta-feira. "Depois de amanhã [sexta-feira], vou visitar o continente africano. Não se esqueçam disso na vossa oração e na vossa generosidade".
Na saudação aos fiéis de língua portuguesa, o Papa salientou:
"Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Saúdo todos os fiéis brasileiros, particularmente, os grupos de São Paulo e Brasília. Ao concluir este ciclo de catequeses sobre a oração no Saltério, convido-vos a rezar sempre mais com os salmos, para assim enriquecerdes a vossa relação diária com Deus. E que as suas bênçãos desçam sobre vós e vossas famílias!".
Fonte: Canção Nova

Bento XVI deseja êxito ao encontro do G-20

No final da Audiência Geral, nesta quarta-feira, 2 de novembro, o Papa fez um apelo aos chefes de Estado e de Governo que, a partir de hoje, quinta-feira, 3 de novembro, estarão reunidos em Cannes, na França, para participar do G-20. A finalidade deste vértice de dois dias é examinar as principais problemáticas relacionadas com a economia global.
"Faço votos de que o encontro ajude a superar as dificuldades que, em nível mundial, impedem a promoção de um desenvolvimento autenticamente humano e integral." Os chefes de Estado e de Governo se reunirão em sete sessões de trabalho, nas quais serão discutidos temas como a crise financeira internacional, crescimento econômico, geração de emprego, mudanças climáticas e governança global.
Antes de embarcar para Cannes, onde chegou nesta terça-feira, a Presidente brasileira Dilma Rousseff classificou a reunião do G20 como um “momento crucial”. “Nós vamos deixar claro na reunião do G20 que não acreditamos que a crise será efetivamente superada com guerra cambial e com a velha receita pura e simples da recessão e do desemprego”, disse Dilma durante evento de premiação das Empresas Mais Admiradas no Brasil, em São Paulo, na segunda-feira.
A solução para a crise, afirmou a presidente, não pode passar por ajustes recessivos.
Fonte: CNBB

Lei divina não é escravidão, mas dom de graça, afirma Papa

Queridos irmãos e irmãs,
nas Catequeses passadas, meditamos sobre alguns Salmos que são exemplos dos gêneros típicos da oração: lamento, confiança, louvor. Na Catequese de hoje, gostaria de deter-me ao Salmo 119 segundo a tradição hebraica, 118 segundo a greco-latina: um Salmo muito particular, único no seu gênero. Antes de tudo, o é pela sua extensão: é composto, de fato, por 176 versículos divididos em 22 estrofes com oito versículos cada.

Além disso, tem a peculiaridade de ser um "acróstico alfabético”: é construído, isto é, segundo o alfabeto hebraico, que é composto de 22 letras. Cada estrofe corresponde a uma letra daquele alfabeto, e com tal letra inicia a primeira palavra dos oito versículos da estrofe. Trata-se de uma construção literária original e muito comprometedora, em que o autor do Salmo busca demonstrar toda a sua bravura.
Mas aquilo que, para nós, é mais importante é a temática central desse Salmo: trata-se, de fato, de um imponente e solene canto sobre a Torá do Senhor, isto é, sobre a sua Lei, termo que, na sua acepção mais ampla e completa, é compreendido como ensinamento, instrução, diretiva de vida; a Torá é revelação, é Palavra de Deus que interpela o homem e provoca a resposta de obediência confiante e de amor generoso. E de amor pela Palavra de Deus é permeado todo este Salmo, que celebra a beleza, a força salvífica, a capacidade de dar alegria e vida. Por que a Lei divina não é jugo pesado de escravidão, mas dom de graça que nos faz livres e leva à felicidade.
"Hei de deleitar-me em vossas leis; jamais esquecerei vossas palavras", afirma o Salmista (v. 16); e depois: "Conduzi-me pelas sendas de vossas leis, porque nelas estão minhas delícias" (v. 35); e ainda: "Ah, quanto amo, Senhor, a vossa lei! Durante o dia todo eu a medito" (v. 97). A Lei do Senhor, a sua Palavra, é o centro da vida do orante; nela, ele encontra consolação, torna-a objeto de meditação, conserva-a no coração: "Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra, para não vos ofender", é esse o segredo da felicidade do Salmista; e depois, ainda: "Contra mim os soberbos maquinam caluniosamente, mas eu, de todo o coração, fico fiel aos vossos preceitos" (v. 69).
A fidelidade do Salmista nasce da escuta da Palavra, do guardar no íntimo, meditando-a e amando-a, exatamente como Maria, que "guardava, meditando em seu coração", as palavras que lhe eram dirigidas e os eventos maravilhosos em que Deus se revelava, pedindo sua adesão de fé (cf. Lc 2,19.51). E se o nosso Salmo inicia nos primeiros versículos proclamando "bem-aventurado" "quem caminha na Lei do Senhor" (v. 1b) e "quem guarda os seus preceitos" (v. 2a), é ainda a Virgem Maria que leva ao cumprimento a perfeita figura do crente descrita pelo Salmista. É Ela, de fato, a verdadeira "bem-aventurada", proclamada por Isabel porque "acreditou, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!" (Lc 1, 45), e é d'Ela e da sua fé que Jesus mesmo dá testemunho quando, à mulher que havia gritado "Bem-aventurado o ventre que te carregou", responde: "Bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!" (Lc 11,27-28). Certamente, Maria é bem-aventurada porque o seu ventre carregou o Salvador, mas, sobretudo, porque acolheu o anúncio de Deus, porque foi atenta e amorosa guardiã da sua Palavra.

O Salmo 119 é, portanto, todo entecido entorno desta Palavra de vida e bem-aventurança. Se o seu tema central é a "Palavra" e a "Lei" do Senhor, junto a esses termos recorrem em quase todos os versículos alguns sinônimos como "preceitos", "decretos", "mandamentos", "ensinamentos", "promessa", "juízos"; e, depois, tantos verbos a esses relacionados como observar, proteger, compreender, conhecer, amar, meditar, viver. Todo o alfabeto desenvolve-se através das 22 estrofes deste Salmo, e também todo o vocabulário da relação de confiança do crente com Deus; encontramos o louvor, o agradecimento, a confiança, mas também a súplica e o lamento, sempre, no entanto, permeados pela certeza da graça divina e do poder da Palavra de Deus. Mesmo os versículos mais assinalados pela dor e pelo sentimento de escuridão permanecem abertos à esperança e são permeados de fé. "Prostrada no pó está minha alma, restituí-me a vida conforme vossa promessa" (v. 25), reza confiante o Salmista; "Assemelho-me a um odre exposto ao fumeiro, e, contudo, não me esqueci de vossas leis" (v. 83), é o seu grito de crente. A sua fidelidade, ainda que colocada à prova, encontra força na Palavra do Senhor: "Saberei o que responder aos que me ultrajam, porque tenho confiança em vossa palavra" (v. 42), ele afirma com firmeza; e também diante da perspectiva angustiante da morte, os mandamentos do Senhor são o seu ponto de referência e a sua esperança de vitória: "Por pouco não me exterminaram da terra; eu, porém, não abandonei vossos preceitos" (v. 87).
A lei divina, objeto do amor apaixonado do Salmista e de cada crente, é fonte de vida. O desejo de compreendê-la, observá-la, orientar a ela todo o próprio ser é a característica do homem justo e fiel ao Senhor, que a "medita dia e noite", como recita o Salmo 1 (v. 2); é uma lei, aquela de Deus, a se ter "no coração", como diz bem o notável texto do Shema no Deuteronômio. Diz:
Escuta, Israel...
Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração.
Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares (6, 4.6-7).

Centro da existência, a Lei de Deus requer a escuta do coração, uma escuta feita de obediência não servil, mas filial, confiante, consciente. A escuta da palavra é encontro pessoal com o Senhor da vida, um encontro que deve traduzir-se em escolhas concretas e tornar-se caminho e seguimento.
Quando lhe é perguntado o que fazer para ter a vida eterna, Jesus aponta o caminho da observância da Lei, mas indicando como fazer para levá-la à completude, diz: "Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!" (Mc 10, 21). O cumprimento da Lei é seguir Jesus, andar sobre a estrada de Jesus, na companhia de Jesus.
O Salmo 119 leva-nos, portanto, ao encontro com o Senhor e orienta-nos para o Evangelho. Há nesse um versículo sobre o qual gostaria, agora, de deter-me: é o v. 57: "Minha parte, Senhor, eu o declaro, é guardar as vossas palavras". Também em outros Salmos o orante afirma que o Senhor é a sua "parte", a sua herança: "O Senhor é a minha parte da herança e o meu cálice", recita o Salmo 16 (v. 5a), "Deus é a rocha do meu coração, minha parte para sempre" é a proclamação do fiel no Salmo 73 (v. 23 b), e, ainda, no Salmo 142, o Salmista grita ao Senhor: "És tu o meu refúgio, és tu a minha herança na terra dos viventes" (v. 6b).
Esse termo "parte" evoca o evento da repartição da terra prometida entre as tribos de Israel, quando aos Levitas não é assinalada alguma porção de território, porque a sua "parte" era o Senhor mesmo. Dois textos do Pentateuco são explícitos a esse respeito, utilizando o termo em questão: "O Senhor disse a Aarão: 'Não possuirás nada na terra deles, e não terás parte alguma entre eles. Eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos israelitas'", assim declara o Livro dos Números (18,20), e o Deuteronômio rebate: "Por isso Levi não teve parte nem herança com seus irmãos: porque o Senhor mesmo é o seu patrimônio, como lhe prometeu o Senhor, teu Deus" (Dt 10,9; cfr. Dt 18,2;Gs 13,33; Ez 44,28).
Os sacerdotes, pertencentes à tribo de Levi, não podem  ser proprietários de terras no País que Deus dava por herança ao seu povo, levando a cumprimento a promessa feita por Abraão (cf. Gen 12, 1-7). A posse da terra, elemento fundamental de estabilidade e de possibilidade de sobrevivência, era sinal de bênção, porque implicava a possibilidade de construir uma casa, de educar os filhos, cultivar os campos e viver dos frutos do solo. Bem, os Levitas, mediadores do sagrado e da bênção divina, não podem possuir, como os outros judeus, esse sinal externo de bênção e essa fonte de subsistência. Inteiramente doados ao Senhor, devem viver d'Ele somente, abandonados ao seu amor providente e à generosidade dos irmãos, sem ter herança, porque Deus é a sua parte da herança, Deus é a sua terra, que lhes faz viver em plenitude.
E agora, o orante do Salmo 119 aplica a si esta realidade: "A minha parte é o Senhor". O seu amor por Deus e pela Sua Palavra leva-o à escolha radical de ter o Senhor como único bem, e também de manter as suas palavras como dom precioso, mais precioso do que toda a herança e toda a posse de terra. O nosso versículo, de fato, tem a possibilidade de uma dupla tradução, que poderia muito bem ser feita da seguinte forma: "A minha parte, ó Senhor, eu disse, é guardar as tuas palavras". As duas traduções não se contradizem, mas se complementam: o Salmista está afirmando que a sua parte é o Senhor, mas também que guardar as palavras divinas é a sua herança, como dirá, em seguida, no v. 111: "Minha herança eterna são as vossas prescrições, porque fazem a alegria de meu coração". Esta é a felicidade do salmista: para ele, como os levitas, foi dado como parte da herança a Palavra de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, estes versículos são de grande importância também hoje para todos nós. Antes de tudo, para os sacerdotes, chamados a viver somente do Senhor e da sua Palavra, sem outras seguranças, tendo a Ele como único bem e única fonte de verdadeira vida. Nessa luz, compreende-se a livre escolha do celibato para o Reino dos céus, a ser redescoberto em sua beleza e força.
Estes versículos são importantes também para todos os fiéis, povo de Deus pertencente a Ele somente, "reino de sacerdotes" para o Senhor (cf. 1 Pe 2.9; Ap 1,6, 5.10), chamados à radicalidade do Evangelho, testemunhas da vida trazida por Cristo, novo e definitivo "Sumo Sacerdote" que se ofereceu em sacrifício para a salvação do mundo (cf.Heb 2,17; 4:14-16; 5,5-10; 9,11 ss.) O Senhor e a sua Palavra: esses são a nossa "terra", na qual viver na comunhão e na alegria.

Deixemos, portanto, que o Senhor coloque em nosso coração este amor pela Sua Palavra, e conceda-nos ter sempre no centro da nossa existência a Ele e a Sua santa vontade. Peçamos que a nossa oração e a nossa vida sejam iluminadas pela Palavra de Deus, lâmpada para os nossos passos e luz para o nosso caminho, como diz o Salmo 119 (cf. v. 105), para que o nosso andar seja seguro, na terra dos homens. E Maria, que acolheu e gerou a Palavra, seja para nós guia e conforto, estrela polar que indica o caminho para a felicidade.
Então, poderemos também alegrarmo-nos em nossas orações, como o orante do Salmo 16, dos dons inesperados do Senhor e da imerecida herança que é dada para nós:
O Senhor é a minha parte de herança e meu cálice...
Para mim, a sorte caiu em lugares deliciosos:
A minha herança é estupenda (Sl 16,5.6). 
Obrigado!
Fonte: Canção Nova

Festa de Todos os Santos dá ânimo aos católicos a ser Santos como Deus, diz o Papa

Ao presidir este meio-dia (hora local) a oração do Ângelus na Solenidade de Todos os Santos, oPapa Bento XVI assinalou que esta Festa constitui uma ocasião de ânimo para que todos os católicos sejam Santos como Deus é santo.
Em sua saudação em espanhol, o Papa disse que a liturgia de hoje "convida-nos a contemplar o amor infinito de Deus, que se reflete na vitória dos que já gozam de sua glória no céu".
"É o amor do Pai que nos chama a sermos filhos dele, entrega o seu próprio Filho para nos redimir com seu sangue purificador. Por isso nos proclama benditos mesmo quando sofremos tribulação, porque nele está nossa esperança".
"Respondamos –alentou o Papa– com generosidade e coerência a esse dom, que foi derramado em nossos corações, sendo santos como Deus é Santo, para que também em nós se manifeste sua glória".
Em sua reflexão em italiano, Bento XVI disse que a Festa de hoje "nos recorda que a santidade é a vocação originária de cada batizado. Cristo, de fato, que com o Pai e com o Espírito é o todo Santo, amou a Igreja como sua esposa e se deu a si mesmo por ela, a fim de santificá-la".
"Por esta razão todos os membros do Povo de Deus estão chamados a serem santos, segundo a afirmação do apóstolo Paulo: ‘A vontade de Deus é que sejam Santos’. Portanto, estamos convidados a olhar a Igreja não em seu aspecto temporário e humano, marcado pela fragilidade, mas sim como Cristo a quis, isto é ‘comunhão dos Santos’".
Depois de recordar que todos os estados de vida permitem chegar à santidade, o Papa recordou a celebração, amanhã 2 de novembro, da festa de todos os Fiéis Defuntos, que "nos ajuda a recordar os nossos seres queridos que nos deixaram e a todas as almas em caminho para a plenitude da vida, propriamente no horizonte da Igreja celeste, a que a Solenidade de hoje nos elevou".
O Papa Bento XVI ressaltou que a oração pelos mortos é "não só útil mas também necessária, assim que ela não só pode ajudá-los, mas também ao mesmo tempo faz eficaz sua intercessão em nosso favor".
O Papa fez votos para "que o pranto, devido ao desprendimento terreno, não prevaleça por isso sobre a certeza da ressurreição, sobre a esperança de alcançar a bem-aventurança da eternidade, ‘momento repleto de satisfação, no qual a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade’".
"O objeto de nossa esperança de fato é gozar da presença de Deus na eternidade. Jesus o prometeu a seus discípulos: ‘Eu os verei de novo e vosso coração se alegrará e nenhum poderá tirar-vos este gozo’".
Finalmente o Santo Padre sublinhou que "à Virgem, Rainha de Todos os Santos, confiamos nossa peregrinação para a pátria celeste, enquanto invocamos para os irmãos e as irmãs defuntos sua materna intercessão".
Fonte: ACIDIGITAL